Ibovespa cai mais de 5% e dólar dispara pressionado por derretimento de 20% nas ações da Petrobras

O dia promete ser de pregão nervoso após o presidente Jair Bolsonaro cumprir suas ameaças e indicar um general para a presidência da Petrobras no lugar de Roberto Castello Branco.

Bolsonaro já avisou que nesta semana haverá mais trocas na Petrobras e também sinalizou mudanças no setor elétrico.

As interferências colocam a confiança do país em xeque e até mesmo a situação de Paulo Guedes em um governo que troca o liberalismo pelo populismo

Ações do Banco do Brasil tombam diante de receios de interferência do governo

Ibovespa desce aos 111 mil pontos e Petrobras afunda 20%

Ações da Petrobras derretem mais de 16% após interferência de Bolsonaro

Minério de ferro sobe 1,4%, a US$ 175,96 por tonelada

Bolsas europeias operam em queda com investidores atentos à alta dos rendimentos dos títulos soberanos

Mercado aumenta projeção para Selic no fim de 2021 pela 2ª semana consecutiva

últimas atualizações

bovespa desce aos 111 mil pontos e Petrobras afunda 20%
  • Ibovespa cai 5,47%, aos 111.956 pontos
  • Dólar comercial sobe 2,18%, a R$ 5,5047

Em linha com os acontecimentos desde a noite da sexta-feira, o Ibovespa tem queda forte, com destaque para o tombo da Petrobras.

O papel ordinário da estatal recuava 20,63% e a ação preferencial cedia 20,16% após Jair Bolsonaro indicar o general Joaquim da Silva e Luna para o lugar de Roberto Castello Branco na presidência.

O movimento reflete ainda uma série de rebaixamentos de recomendação por parte de bancos e corretoras.

Ações de outras estatais também são castigadas sob efeito da ameaça de mais medidas intervencionistas por parte do presidente Bolsonaro. É o caso de Banco do Brasil, que entrou em leilão após tombar 10,30%, e de Eletrobras, cujas ações ordinárias caem 7,73%.

Segundo gestores ouvidos pelo Valor, há um claro movimento de zeragem de posição em estatais por parte do fundos.

Marcelo Osakabe, Valor PRO

'O petróleo é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?', questiona Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que a atual política da Petrobras atende aos interesses de "alguns grupos do Brasil", criticou o trabalho do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e disse que a Lei de Reponsabilidade Fiscal prevê que, em estado de calamidade, a companhia deve "olhar para outros objetivos".

Em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente provocou: "O petróleo é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?"

Na sexta, Bolsonaro anunciou que Castello Branco será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, atual presidente da Itaipu Binacional.

Pressionado por caminhoneiros pelos recentes reajustes no preço do diesel, Bolsonaro defende que a composição dos preços e reajuste precisa de transparência e previsibilidade.

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Matheus Schuch, Valor PRO

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Ouro opera em forte alta e tenta se recuperar da queda de 2,5% da semana passada

O ouro opera em forte alta na manhã desta segunda-feira, depois de ter encerrado a semana passada com queda acumulada de 2,5%, registrando o pior desempenho semanal desde meados de janeiro. O ajuste para cima do metal hoje ocorre em meio a uma sessão de aversão ao risco nos mercados globais, com os investidores atentos ao aumento acelerado dos juros dos títulos soberanos nos EUA e em outros países.

Às 10h51, os preços dos contratos para abril do ouro subiam 1,21%, a US$ 1.798,90 a onça-troy.

"O aumento dos rendimentos reais se recuperou à medida que o estímulo proposto reforçou as apostas de inflação", comentou em nota o estrategista-chefe da Axi, Stephen Innes.

Valor PRO, com Dow Jones

Rendimentos dos títulos do Tesouro americano sobem, com investidores avaliando possibilidade de reação dos BCs

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano operam em alta, abrindo mais uma semana em alta, após três altas semanais consecutivas, com os investidores avaliando a possibilidade de intervenção dos bancos centrais.

Há pouco, o juro da T-note de dez anos operava em alta a 1,359%, a de 1,345% do fechamento de sexta-feira, enquanto o do papel de 30 anos sobe a 2,146%, de 2,140% e o de dois anos segue a 0,111%, de 0,109%. Já o rendimento do papel segue estável a 0,033%.

Alguns analistas começam a ver uma possibilidade de que os principais bancos centrais - e em especial o Fed - comecem a pensar em uma mudança de postura.

André Mizutani, Valor PRO

Credit Suisse rebaixa recomendação de Banco do Brasil para "neutra"

O Credit Suisse rebaixou a indicação das ações do Banco do Brasil para "neutra" diante do que classificou como "percepção de crescente risco de interferência política". A casa de análise cortou ainda o preço-alvo para R$ 38, de R$ 46.

O movimento é consequência direta da mudança no comando da Petrobras realizada pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira. "A mudança do CEO da Petrobras aumenta a percepção de risco relacionado a interferência política sobre entidades controladas pelo governo", apontaram os analistas.

Para o banco, "o anúncio da Petrobras deve levar a um impacto de longo prazo sobre o prêmio de risco requerido para a ação do BB, prejudicando nossa expectativa de retorno aos múltiplos aos níveis históricos de três anos".

Sérgio Tauhata, Valor PRO

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BC aceita duas ofertas totalizando US$ 1,6 bilhão em leilão de linha para rolagem

O Banco Central aceitou duas ofertas no leilão de linha - como são conhecidas as operações de venda com compromissa de recompra - para rolagem parcial do vencimento de março, totalizando US$ 1,6 bilhão. Os dólares foram vendidos a R$ s a R$ 5,5140 e taxa de corte de 0,757000%. A operação de venda será concretizada no próximo dia 2 e a recompra, em 5 de abril.

Marcelo Osakabe, Valor PRO

Credit Suisse rebaixa recomendação de Eletrobras para venda

O Credit Suisse rebaixou a recomendação e o preço-alvo para as ações da Eletrobras após o presidente Jair Bolsonaro declarar que considera fazer mudanças nas tarifas de eletricidade, depois de anunciar a troca no comando da Petrobras.

O banco rebaixou a recomendação das ações ordinárias de neutra para venda, com preço-alvo de R$ 28,30, e as ações PN de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 32.

"Estimamos que as tarifas de eletricidade podem aumentar em torno de 15% em média para 2021, decorrente do aumento da inflação, fraqueza do real impactando as tarifas de Itaipu e grande déficit hídrico. Consequentemente o governo poderia estar estudando alternativas para amortecer o repasse do aumento. Acreditamos que o ICMS sobre o PIS Cofins a receber pode ajudar a compensar esse impacto", diz o relatório.

Allan Ravagnani, Valor PRO

DESTAQUE

Ações da Petrobras derretem mais de 16% após interferência de Bolsonaro

As ações da Petrobras derretem nessa segunda-feira (23) após o presidente Jair Bolsonaro indicar o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal, no lugar do economista Roberto Castello Branco.

Às 10h37, as ações preferenciais da Petrobras caíam 17,45% e as ordinárias recuavam 18,27%.

Antes mesmo da derrocada de hoje, a Petrobras já tinha o pior desempenho entre ações de concorrentes globais, mesmo com o salto das commodities nos últimos meses, segundo reportagem do Valor Econômico de hoje.

Em dólares, até sexta-feira (19), as ações ordinárias da Petrobras acumulam queda de 10,51%, enquanto as preferenciais recuam 8,23%.

Para o Goldman Sachs, a decisão do governo de mudar a presidência da Petrobras é negativa porque aumenta as incertezas sobre a continuidade da venda de ativos, sobre as iniciativas de redução de custos e sobre o futuro dos preços de combustíveis.

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